quinta-feira, 23 de julho de 2009

Vítimas

Quem se apaixona e – consequentemente – separa com frequência, torna-se, obrigatoriamente, um pesquisador musical.

Músicas marcam relacionamentos. Grudam nas pessoas. Amarram-se nos momentos. Articulam memórias.

É independente de nossa vontade. Lá estamos nós, com AQUELA pessoa olhando AQUELA nuvem e então toca AQUELA música: a nuvem não é mais a nuvem, a árvore não é mais a árvore, a estrada não é mais só um caminho.

O fim de um relacionamento derruba – às vezes – meio iPod dos grandes. Vão também livros e filmes. Mas as músicas são, com frequência, as vítimas mais numerosas.

Artistas têm toda a sua discografia descartada. São comprometidos, inclusive, os próximos lançamentos. A foto deles nas revistas é rapidamente folheada. A aparição na TV cortada por um golpe rápido de controle remoto.

Extermínios do gênero também acontecem em outras esferas da paixão: sabe aquelas músicas especialmente compostas para aquela Copa em que fomos vergonhosamente desclassificados? Não lembra? Nem eu.

Viu?

Quem se apaixona e separa com frequência pode ficar sem trilha. Fica condenado a um duplo silêncio, de voz e de música. Se obriga, assim, ao garimpo: novos lançamentos, clássicos obscuros. Busca, com diligência, material nos nichos mais recônditos. Começa a frequentar debuts de artistas independentes, percorre a noite, insaciável, atrás de novas sonoridades.

Adiciona à paixão um outro vício.

11 comentários:

  1. É... e quantas vezes já se ouviu um "nooossa, essa música me faz lembrar "tal" pessoa, ou "tal" acontecimento". Nossa memória é algo incrível! [mesmo que algumas vezes, no caso de paixões repentinas, ela insista em lembrar coisas que queremos muito esquecer].

    O Nenhum de Nós é um grupo que com toda certeza deixa muitos momentos gravados na memória das pessoas...

    "Mas você lembra... você vai lembrar de mim! Que o nosso amor valeu a pena..."
    P.s.: Alguma música mais certeira que esta para este post?

    Grande Beijo.

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    ResponderExcluir
  3. bom, como tu sabes tenho a mesma opinião sobre o assunto. como sou uma dessas pessoas que se apaixona e se separa com frequência (mesmo que seja pela mesma pessoa)ganho uma lista nova de música cada vez. por exemplo, agora ando ouvindo muito MGMT e Matt Costa, pra esquecer o Killers e o Kooks que embalavam o passado.
    por sinal, esses dias uma música de vcs tocou no rádio exatamente na hora que deveria. mas isso eu te conto quando as aulas voltarem!

    ResponderExcluir
  4. Dá uma sensação de que vc tem que reconstruir parte dos seus gostos, né?

    Eu gosto do Drexler (thank god ele está à salvo) porque ele fala desse gosto de melancolia que fica na boca, porém misturado com um tom de alegria vital (expressão usada pelo próprio). Você está dirigindo, olhando a paisagem, lamenta a ausência, mas lembra de alguma piada sem graça que algum dos dois falava e aí então larga aquele sorriso de canto, que vai se transformando em risada meio boba, como quem diz: valeu.

    ResponderExcluir
  5. Pois eu fujo à essa regra.
    Ao contrário da maioria, sou do tipo que "mudam o playlist pra 'trilha sonora da saudade'"... Aliás, não sei se SOU desse tipo ou se no momento me FAÇO assim... Sei que as músicas que fizeram parte da minha última história (há exatamente 1 ano terminou) ainda fazem parte do meu repertório quase que diário... Talvez por medo de esquecer... Mas que a dor é aumentada isso de fato é... E como diz um sábio desconhecido: 'A felicidade nada mais é do que boa saúde e memória fraca' e como me falta essa tal memória fraca....

    "Então eu sentei e esperei
    E resolvi desprezar o tempo"

    ResponderExcluir
  6. ...e o pior é quando você volta a escutá-las para sentir aquela nostalgia boa... a saudade que ainda machuca... o perfume que se foi... a palavra que calou. e então sorri, logo nas primeiras notas da introdução. e fica feliz pela vida, simplesmente.

    ResponderExcluir
  7. Mirela - BH
    É verdade Carlinhos!
    As músicas Extrano e Eu menti ilustram claramente o meu estado de espírito há três meses atrás. Mas eu sou uma pessoa resiliente e hoje, quando ouço essas músicas me esforço para sentir apenas que são belas e emocionantes canções. Mas não só a música pra mim é muito marcante. Já reparou nas frangrâncias?? O cheiro também é capaz de trazer a tona todas as memórias de uma história ou de apenas um momento vividos.
    Adoro seus textos...
    Um forte abraço
    Mi

    ResponderExcluir
  8. Isso eh verdade msm... Como tentei excluir da minha vida as coisas q amava... e q lembravam o amor... Tentei, mas não consegui

    Mas percebi q devo gostar msm de sofrer... rsrs... Pq mtas músicas do Nenhum de Nós me levam a tais lembranças... mas cada dia ouço mais... hehe
    Comigo aconteceu o contrário... passei a ouvir mais... Vou pirar...

    Amo seus textos!
    Bárbara Lima - BH

    ResponderExcluir
  9. E como a gente esquece uma música quando se acaba um relacionamento, e muitas vezes algumas entram com mais intensidade nessa hora...Numa desses vezes algumas músicas do NDN entraram com maior frequência como "Mais você lembra, você vai lembrar de mim, que nosso amor valeu a pena" ou "Porque você não disse que viria, logo agora que eu tinha me curado das feridas que você abriu quando se foi".
    E pode ter certeza que NDN nunca sairá da minha vida, todas elas marcam um momente e pode ter certeza que muitos deles felizes!
    Beijos!

    ResponderExcluir
  10. As musicas falam o q a alma sente e não sabe explicar.Põem o coração p fora sem esforço algum,explora os mais intimos reconditos do coração humano.Trazem o passado bem presente e tem aquelas q fazem doer, uma dor física mesmo mas q não tem curativo nem analgegico.Expõe uma ferida q não cicatriza jamais...

    ResponderExcluir