terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Filmes

Os filmes, os livros e as músicas estão entre as formas mais disseminadas de propagação de ideias e cultura. Nem sempre são boas ideias e nem sempre se pode chamar de cultura o que eles nos trazem, mas algumas vezes eles nos tocam de uma forma que nos faz imaginar como seria a vida sem nossa indústria cultural.
Frequentemente eles parecem traduzir nossa existência e nos fornecem compreensões que de outra forma nos escapariam.
Recentemente assisti a Once (apenas uma vez) e comentei com um amigo a respeito. Ele também gostou bastante, mas disse: triste ele, não?
Seu comentário me soou um pouco estranho porque pareceu uma percepção inescapável em relação ao filme, contudo, não fiquei com essa sensação, ou pelo menos, não foi a minha sensação preponderante a respeito do filme.
Para quem não viu, um resumo, que em nada estraga o prazer de assistir, que se encontra bastante vinculado a sua premiada trilha sonora. Um músico de rua, irlandês, encontra uma imigrante, pianista, e com ela desenvolve uma colaboração musical associada a um clima de romance, nunca consumado.
A relação de ambos atinge uma grande intensidade, embora, como disse antes, nunca se consuma.
Acho que enxerguei a situação ao contrário: a força dos sentimentos envolvidos na relação deles e a possibilidade de vivenciar essas sensações são um enorme privilégio. Talvez nisso resida a parte triste do filme. Será que não desejaríamos estar no lugar deles, mesmo sabendo que o desfecho não seria necessariamente um happy end?
Outro filme é As Pontes de Madison.
Da mesma forma que as grandes paixões, todos os relacionamentos, mesmo os que já escaparam da fase idealizatória são os tijolos com que construimos o que somos. Podemos enxergá-los pela ótica daquilo que nos privaram, ou por aquilo que trouxeram, e trazem, de vida para a nossa vida.

4 comentários:

  1. Pois é, é a melhor forma de propagar tudo isso filmes, livros e músicas, no entanto, às vezes, esses mesmos recursos, infelizmente, fazem o caminho inverso, fazendo alusões, como algumas MÚSICAS que se intitulam como tal, fazendo apologias ao sexo vulgar, a mulher como objeto de desejo, entre outros.
    Assim como na música, tantos outros meios de comunicação nos incitam o desejo de um melhor final feliz.

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  2. Bom,ainda não consegui ver o filme Once,que o Thedy também falou na Itapema uma vez,mas vi um filme que acho que é do mesmo estilo, O som do coração, achei muito legal o filme apesar de o final ser um "pouco sem graça".Hehe

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  3. Antes de mais nada, resolvi criar vergonha na cara e fazer jus ao título do blog ao invés de vir aqui só ler...
    Então, eu acho que a forma natural como os fatos vão acontecendo é o que torna o filme tão encantador, do começo ao final. É claro, como tu já comentou, a trilha sonora é incrível! Não tem como ver o filme e não querer ouvir mais...
    Também não achei triste, claro que a gente sempre espera que o "casal" fique junto no final, mas como o que os uniu de uma certa forma foram esses "desencontros" do passado, acho que foi bacana a forma como tudo se desenrolou... se depois disso, eles foram felizes ou não, não vem ao caso... uma história não precisa terminar em casamento, filhos etc, pra provar que aquilo valeu a pena... e como o próprio nome já diz: "Once". Aí vem aqueles ditados de "viva cada dia como se fosse o último ou como se fosse o primeiro...", acho que isso sim vale a pena!
    Mais ou menos o que tu disse no último parágrafo. É o que eu também penso.
    E gostei das postagens mais antigas também...
    Beijo!

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  4. Conquistamos a parcela de liberdade que antes não tínhamos para nortearmos nossas escolhas pelos sentimentos - não digo todas e totalmente, mas uma margem de manobra maior para considerá-los ao decidir em que direção caminhar. No entanto, parece que ficamos presos aos mesmos antigos paradigmas que antes afastavam pessoas que carregavam razões não racionais, e nobres, para ficar juntas.
    Renunciamos ao considerarmos preponderantemente estes paradigmas.

    E embora eu ache que dificilmente essas renúnicas escaparão de uma dose de conformismo, tento não julgar nenhuma renúnica e nenhuma razão para renunciar.
    As circunstâncias e valores de cada um e principalmente o modo como são percebidos e vividos revelam até que ponto alguém encara esse tipo de amor como vento mais forte para guiar um barco.

    Difícil decifrar o universo de cada um, né? Quanto mais julgá-lo.
    E tem gente que ainda coloca tudo no mesmo saco de farinha.

    Mas acho que quando a única coisa que nos resta é olhar para esse tipo de privilégio pela ótica da sorte que se teve, por não poder continuar transformando-o, a ideia, a meu ver, toma a forma de um conforto. Às vezes, um conforto para o conformismo. Nunca se sabe.

    De qualquer forma, é praticamente inegável que é melhor ver, de verdade, a vida assim do que se concentrar no que se perdeu ou no que mais se poderia ter vivido, mas que não dependia apenas de nós.

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