segunda-feira, 2 de março de 2009

Etiqueta Urbana

Quando viajo para o centro do país não consigo evitar de carregar comigo uma sensação de insegurança em muito potencializada pelos meios de comunicação. Sei, no fundo, que é um pouco exagerada, pois não é muito diferente da que vivencio quase todo dia aqui em Porto Alegre.

Há algum tempo me chamou a atenção a argumentação de um conhecido, carioca, sobre um episódio envolvendo um turista – mais um – assaltado e morto. Não me lembro exatamente do caso, mas episódios similares aconteceram e continuam acontecendo todos os dias pela cidade, o que infelizmente torna esse caso uma ocorrência cotidiana que talvez dispense o conhecimento dos detalhes.
Ele dizia que os turistas se colocam em condição de risco. Traduzindo: carregavam objetos de valor à vista de qualquer um, caminhavam sem a devida atenção pelas ruas e frequentavam os lugares errados nos horários inadequados. Viviam, assim, se expondo a riscos, comportando-se como tolos (manés é a palavra), e destino de mané todo mundo sabe qual é, não é?
Bom, os malandros (contrário de manés) não cometem esses erros.

Pouco tempo depois, uma música dos Paralamas do Sucesso, Calibre, pergunta:
Por que caminhos você vai e volta
Aonde você nunca vai
Em que esquinas você nunca para
A que horas você nunca sai
Há quanto tempo você sente medo
Quantos amigos você já perdeu
Entrincheirado, vivendo em segredo
E ainda diz que não é problema seu

Após mais uma babárie ocorrida na cidade, organiza-se uma passeata pela paz. Pessoas com camisetas brancas carregam bandeiras brancas e cartazes com a foto de mais um inocente chacinado.
Numa declaração, o jornalista Pedro Bial – ele próprio vítima de um episódio de violência – afirma que não vê sentido nesse tipo de movimento, não se trata de pedir paz, mas encarar o fato de que o Rio vive uma situação de guerra e agir como tal.

Não é preciso muito para concluir que a violência já nos vitimou a todos, de muitas formas.
Assumimos que existem lugares em que “não podemos” ou “não devemos” ir com naturalidade. Que existem objetos que devemos esconder aos olhos do público.
Fiquei surpreso em constatar também que um grande número de pessoas próximas pensam assim.

A violência mapeou as metrópoles. Designou os horários e os comportamentos “adequados”, inaugurou uma nova etiqueta: como se comportar, o que vestir, aonde ir e como ir para não ser assaltado ou assassinado.
Vamos, aos poucos, incorporando essa nova etiqueta. Saudamos os antenados e mal nos compadecemos dos infelizes manés que, ignorando os seus ditames, se “dão mal” pelas ruas da cidade.

A culpa acaba sendo deles.

Paradoxalmente, gostamos de mostrar nossa indignação a cada novo caso de violência. Culpamos nossos governantes, mas será que, dentro de nós, essa batalha já não foi perdida?
Não poderia, claro, defender que nos expuséssemos irracionalmente. Muito diferente é assumir como naturais essas restrições. Nossas cidades são desenhadas pelo limite das grades dos prédios. Entrincheiramo-nos em condomínios murados que simulam internamente nosso ideal de cidade sem muros. Compramos em shoppings, devidamente isolados da rua.

Incorporamos os muros.

Difícil dizer os reflexos disso no nosso cotidiano futuro.

5 comentários:

  1. Culpamos os nossos governantes, porém, diante da oportunidade, muitas pessoas não perdem a chance de desenvolver o setor de segurança eletrônica e ganhar uma grana com isso.

    Justamente hoje participei de uma reuinão cuja pauta era o mercado para estes equipamentos e serviços: como explorá-lo?. Colocaram em questão o crescimento de um determinado mercado e, paralelamente, a crescente demanda por segurança eletrônica. Um crescimento nada qualitativo, deduz-se.

    Já pensou se todo esse dinheiro fosse investido em medidas preventivas? E esse raciocínio para elaborar um business plan fosse direcionado para desenvolvê-las?
    Quantos milhões em muros, condomínios fechados, monitoramente, e etc.

    A observação faz todo o sentido: é uma entrega.
    E parece que a inversão do quadro se tornou uma causa perdida.

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  2. Tu pediu pra criticar, botar a boca, te mandar longe... Ok, lah vai!

    Shiiiii..... Nao consigo..... Pelo menos nao nesse post.....

    Essa neurose com a violencia me irrita! A preocupacao com a seguranca eu entendo e sou a favor.... Mas conheco gente que nao sai a noite, nao vai pra rua, nao vive, por causa do medo... Faz sentido isso??? Cara, eu nao deixo de fazer nada por causa do medo da violencia.... Estou sempre atenta, sempre alerta, olhando pra tras... Eh ruim? Eh! Mas pelo menos eu nao fico socada dentro de casa com medo da miha sombra...

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  3. oi Carlos..tudo bem? Você até deve saber, mas vou te falar...fiz uma entrevista com o Thedy para o meu blog. Dê uma passada por lá www.novabrasilfm.com.br/blog/cristiane-tavares
    Nos vemos no show no Tom Jazz....Beijos
    Cris Tavares

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  4. Carlos!!!Feliz aniversário...tudo de bom pra ti....sucesso sempre!!!

    P.S:Sou péssima nesse negócio de mandar recado de aniversário...hehe 8D

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  5. P.S:(de novo)O recado ali em cima era pra ter saido com a data 14/03(mandei depois da meia-noite)hehe.O horário tá saindo errado...8)

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